quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Existiu outra Humanidade


Uma antiga biblioteca de mais de 50.000 pedras talhadas: as pedras de Ica no Peru ...

"Em 1969, em um deserto branco rochosa no departamento de Ica, no Peru, o Dr. Javier Cabrera Darquea, descobriu e coletou mais de 11.000 pedras gravadas de uma época muito antiga. Estes, além de um número estimado de 40.000 a 50.000 mais do mesmo, constituído uma vasta biblioteca de informações do passado, mesmo até um milhão de anos atrás. Eles descrevem uma outra humanidade que, aparentemente, viveu neste planeta muitos milhares de anos atrás. O bom doutor Cabrera peruana tem a sua fantástica colecção em exposição em sua casa na Praça de Armas, na cidade de Ica.
"11 mil pedras gravadas com conhecimentos avançados em medicina, zoologia, biologia, direito, geografia, religião, astronomia e astronáutica detalhando o conhecimento de que a sociedade avançada. Os valores da humanidade outra gravada nas tábuas de pedra parecia muito com os homens da Terra. Pela primeira vez, a humanidade da Terra é confrontado com a evidência surpreendente que alguém antes de ele conhecia os segredos da cirurgia, astronomia, vôos espaciais, e muitas outras coisas. - como o movimento dos continentes que compõem o nosso mundo Tudo isso, e muito mais ainda para ser descoberto, está lá no deserto peruano chamado Ocucaje.
"Doutor Javier Cabrera notado que esta" biblioteca "de informação gravada em pedras foi dividido em séries e seções em seus respectivos locais, formando diferentes" volumes "de pedras, entre as quais uma série de conhecimentos que demonstram de medicina e cirurgia, incluindo explicações detalhadas do coração , cérebro, fígado, rim e transplantes. Métodos de superar a rejeição de transplantes de órgãos foi descrito. Houve descrições de cesariana e acupuntura, de trabalhar com códigos genéticos e prolongamento da vida. Houve descrições de sistemas eletrônicos que possam controlar as funções da vida biológica do corpo enquanto ele estava sendo trabalhado pelos médicos.
"Houve uma série de comprimidos dedicado à astronomia e conhecimento do universo, entre os quais foram exemplos que descreve a ocupação do nosso planeta, esses seres muito antes do homem contemporâneo. Constelações Treze foram especificamente descrito pelos criadores destes comprimidos. Esses historiadores indicados outros lugares no céu, onde existe vida. - animal, vegetal e inteligente que a civilização gravou a passagem de um grande cometa, há milhões de anos que produziu perturbações catastróficas para a sociedade da época.
"Eles sabiam de existir vida em estrelas distantes e nebulosidades. Houve descrições de dispositivos técnicos e máquinas que viajou no espaço, sem consumir combustível. Havia explicações das figuras e linhas desenhadas sobre a planície de Nazca. Havia também um desenho do mapas hemisférica de outro planeta que não era a Terra, um planeta com vida inteligente que também era capaz de viajar no espaço.
"Havia uma série de comprimidos que descreve a vida vegetal e animal extinto. Havia desenhos de homens equipados com aparelhos lembra de vaqueiros, montados em quatro animais quadrúpedes em busca de grandes sáurios, os dinossauros de milhões de anos atrás. Estes homens tiveram maior cabeças e menor estatura e foram mostrados vários tipos de busca de dinossauros como o Stegosaurus, Triceratops, e Iguanodontes. Havia comprimidos mostrando o ciclo biológico desses grandes sáurios e até mesmo alguns exemplos Caseiro deles.
"Havia uma série de comprimidos dedicado aos continentes antigos do mundo e duas pedras de correspondência circular mostrando os hemisférios oriental e ocidental do planeta na época, o hemisfério que apresentaram geografia milhões de anos atrás a Terra. Estes mapas hemisférica continentes mostraram que não já existem hoje, como o Atantis mítico e Mu, e até mesmo outros. Dentre estes comprimidos, foi também a história de uma grande evacuação ou saída dos homens da Terra. sobre as pedras de grande peso, a civilização gravada a história da partida da Terra da elite de cientistas e profissionais, diretamente para um planeta físico que hoje seria considerado uma parte das Plêiades! "

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ponte sitada em antigos textos hindus encontrada



Arqueólogos descobriram, graças a fotos de satélite da NASA, resquícios de uma ponte de 30km de extensão, feita pelo homem, unindo a Índia ao Sri Lanka. Até aí nada de mais, a não ser pelo fato de que a ponte foi construída há 1.750.000 a.C. (quase dois milhões de anos!), ainda na época do Homo habilis!
Outro detalhe impressionante é que a construção dessa ponte foi contada nos Vedas, mais especificamente no Épico hindu Ramayana (escrito há pelo menos 5.000 anos!), onde lemos que ela foi construída sob a supervisão de ninguém menos que o deus Rama (Avatar hindu, equivalente ao nosso Cristo), na Treta Yuga (Uma Era que vai de 2.163.000 a.C. a 1.296.000 a.C., o que bate com a idade da ponte!). E notem que o exército de Rama era composto por "macacos", que eram mais inteligentes e hábeis que os macacos que conhecemos atualmente... mais parecidos com o que seria o Homo habilis.

Tradição Védica

Histórico


Era pré Védica
- 7000 a 4500 a.C.


"A civilização Védica do Indu-Sarasvati não é somente a mais antiga do planeta; era também a maior civilização da alta antigüidade, muito maior do que a Suméria, a Assíria e o Egito juntos. Pelo que sabemos no final do terceiro milênio a.C., essa civilização estendia-se por uma área de mais ou menos 750.000 kilometros quadrados".
Georg Feuertein

Até agora foram explorados 60 dos 25.000 sítios arqueológicos conhecidos, os maiores são: Mohenjo-Daro, Harappa, Ganweriwala, Rakhigarhi, Kalibangan, Dholavira e a cidade portuária Lothal.

Há pouco tempo escavações arqueológicas no Baluquistão Oriental (Paquistão) trouxeram a luz uma cidade do tamanho de Stanford na Califórnia, datada de meados do ano 7000 a.C.- Mehrgarh.

A Civilização do Vale do Indo, também denominada como cultura Harappiana ou Dravida, teve o seu apogeu entre 3500 a 2000 aC. A civilização do vale do Hindu ocupava uma área geográfica que se estendia do Vale do Indo ao Vale do Ganges, descendo até a costa da cabeceira do mar de Oman, na atual fronteira entre Irã e Paquistão, continuando até o Golfo de Cambay e chegando bem próxima da moderna Mumbay (Bombay). Dentro desta área existiam comunidades formadas de pequenas aldeias de camponeses, cidades de porte médio com portos para navegação fluvial ou marítima e grandes capitais como Harappa e Mohenjo Daro.

Estudos arqueológicos mostraram que essa é a mais antiga civilização e que é o berço da civilização da Suméria e Babilônia, alguns autores falam que a Civilização do Vale do Indu, Suméria e Babilônia formavam uma única civilização. A ligação entre elas são sugeridas por selos e sinetes encontrados nas três regiões.

As ruínas do vale do Indo foram encontradas por Johm e Wiliam Brunton em 1856, responsáveis pela construção da estrada de ferro das Indias Orientais, parte dos tijolos das ruínas foram utilizados na construção da estrada de ferro. Somente sessenta anos mais tarde iniciaram os estudos arqueológicos. Foram desenterradas duas grandes capitais: Mohenjo Daro e Harappa. Segundo os pesquisadores Banerji e Sahni, as cidades eram meticulosamente planejadas, estendendo num plano de xadrez matemático, com ruas e avenidas de até 14 m. de largura que corriam de norte a sul e de leste a oeste. As casa eram construídas com sólidos tijolos de barro cozido, ligados com argamassa de gesso, sendo em sua maioria confortáveis e com dois andares, quartos, banheiros, cisterna, cozinha, dispensa, sala de estar, pátio interno, água canalizada e sistemas de esgoto. Uma característica é que as casas somente tinham abertura para os pátios internos, as construções que ficavam nas esquinas dos cruzamentos tinhas as paredes arredondadas, e segundo os pesquisadores, era para facilitar a visão. Os celeiros, existentes em bairros públicos, são construídos com engenhoso sistema de isolamento e ventilação para armazenagem de produtos por longos períodos, alguns pesquisadores comparam estes celeiros com bancos nacionais no qual o cereal serviria como moeda de troca.

Em Mohenjo Daro foi encontrado um grande banho público, salões para reunião e ambientes que podem ter sido usados para práticas religiosas ou algo semelhante. Mohenjo Daro abrigava pelo menos 35.000 pessoas, o governo parece ser centralizado e de estrutura sacerdotal, mas nenhum templo foi identificado, foram encontrados representações simbólicas que sugerem algum tipo de devoção ou pensamento filosófico. Os sinetes (selos de pedra sabão em alto relevo) possuem representações que podem ser identificadas com Divindades Hinduístas, um destes selos retrata um ser em posição de siddasana ou samanasana rodeado de quatro animais que foi identificado como Pasupati (O Senhor das feras) ou Rudra (Shiva), outra estatueta representa um homem com o olhar entre os olhos (Nasagra Drishtya). Um grande numero de sinetes representam o culto ao feminino, o culto a Deusa-Mãe. Foram encontrados além dos utensílios de cozinha e toalete pintados a mão, dados e peças de xadrex, moedas (as mais antigas de todas conhecidas na Ásia), jóias de prata, ouro e pedras esculpidas.
Segundo o arqueólogo, Sir John Marshall, no vale do hindu havia o culto a ‘Grande Deusa-Mãe’, sendo às vezes representada por estatuetas de figuras femininas grávidas, a maioria nuas, com gargantilha alta e ornamento na cabeça. O deus masculino é identificado como Shiva, sentado com as plantas dos pés tocando uma na outra (uma postura de Yoga), foram encontradas muitas figuras de pedra do falo e da vulva, . . . que apontam para o culto do linga e da Yoni representando Shiva e Shakti (sua consorte). Até hoje Shiva é reverenciado como deus da fertilidade, o deus do falo, ou linga. O touro Nandi o carrega.

Mehrgarh - 7000 à 5500 a.C. Esta cidade neolítica, estava ao longo dos rios Indo e Sarasvati (já secos), estima-se que sua população fosse de 20.000 pessoas, além de ter sido um grande centro de importação e exportação, foi também um centro de criação e inovação tecnológica. Os habitantes já cultivavam algodão, produziam grande quantidade de objetos de cerâmica, estatuetas de terracota. A lingua de origem era o Sânscrito (proto brahmi) e os manuscritos datam de 5500 aC.

Harapa - 5500 à 2600 a.C.- Harappa é também considerada outra "capital",mas tinha algumas diferenças, como o fato de o celeiro estar localizado fora da cidade, pois a proximidade com o rio Ravi permitia que toda a vizinhança transportasse por via fluvial os gêneros para serem estocados. O tradicional banho ritual dos hindus é refletido pelos intrincados sistemas de fornecimento de água de Harapa, assim como um organizado sistema de coleta de lixo.

Dwaraka - Era uma cidade-porto. O nome Dwaraka, em sânscrito significa portal , esse porto-cidade era uma porta de entrada para estrangeiros no continente indiano. As ruínas da antiga cidade Dwaraka foram encontrados sob o mar após os recentes estudos oceanográficos perto da moderna cidade do templo-Dwarka. Essa cidade é citada diversas vezes no Mahabharata.

David Frawley diz:

"A cidade de Dholavira, um sítio Harappiano em Kachchh, foi revelado como uma das maiores cidade portuárias do mundo antigo, datando talvez de uma data anterior a 3000 a.C. Dholavira é localizada no que é hoje um deserto, algumas milhas distante do mar, e sua habitação apenas faria sentido devido a sua proximidade de onde teria sido o delta do rio Sarasvati. Em Dholavira, curiosos pilares de mármore foram achados, marcando provavelmente uma entrada para visitantes marítimos. Note que no Rig Veda, Varuna, o Deus Vedico do mar, é associado com grandes pilares.

Estão errados os estudiosos que aceitam agora a teoria da migração - Romila Thapar e outros já que ignoram a importância do rio Sarasvati nos textos Vedicos, apesar das dúzias de referências Vedicas quanto ao seu tamanho e localização.”


Era Védica
– 4500 a 2500 a.C.


Era em que surgiram os quatro Vedas, os grandes Rishis do passado (sábios visionários) habitavam o vale do hindu as margens do rio Sarasvati (falado nos quatro Vedas).

Em 3100 a.C. o rio Yamuna mudou o seu curso e deixou de desaguar no Sarasvati em 2300ª.C. O Sutlej que era o maior afluente do rio Sarasvati também passou a desaguar no Ganges e em 1900 aC o rio Sarasvati secou, e o povo Védico e Arianos (falavam Sânscrito), eram um único e mesmo povo que aí viviam, tiveram que migrar para o leste da India (às margens do rio Ganges).

O Fim da Era Védica foi marcado pela guerra do Mahabharata 3102 aC. que coincide com o inicio do Kali Yuga (falado nos puranas , tantras, sastras...)

A estrutura literária do Hinduísmo é dividido em dois grandes blocos conhecidos como Shruti e Smriti.

O termo Shruti representa tudo aquilo que foi ouvido (intuído) e catalogado pelos sábios nos quatro livros principais do Hinduísmo: Rig, Sama, Yajur e Atharva Veda.

O termo Smriti representa um conjunto de escrituras secundárias, ou interpretações dos ensinamentos dos Vedas, feitas pelos Rishis (sábios) a fim de atingirem mais facilmente o homem comum.


SHRUTI


Os videntes védicos recebiam as suas visões sagradas como recompensa de um árduo trabalho, de muita asceses e de uma profunda aspiração à iluminação espiritual. Viam a si mesmos como filhos da luz (Rig Veda 9.38.5) e tinham o coração voltado para a realização da Luz celestial, ou do supremo Ser-Luz (Rig Veda 10.36.3).

Os quatro Vedas nos falam de rituais de adoração e manipulação das forças da natureza, especulações filosóficas e técnicas de meditação para o auto conhecimento e unificação com o divino.

Cada Veda é composto de Samhita, onde encontramos os Mantras (hinos) e rituais; Brahmana e Aranyaka, onde estão as explicações dos hinos e rituais; Upanishad, que são comentários e especulações filosóficas em torno da identidade cósmica entre Brahman (absoluto) e Atma (o ser individual); kalpasutras, são textos que codificam e regulamentam a realização de rituais.


VEDAS:


O termo Vedas provém do sânscrito, cuja raiz “vid” significa “sabedoria” “conhecer a Sabedoria Divina”, por isto os Vedas são traduzidos como Sabedoria Divina ou Suprema.

“Os Vedas são considerados, por todos os eruditos Orientais e Ocidentais, como a mais antiga de todas as escrituras do mundo e a mais sagrada das obras sânscritas conhecidas. Foram escritos em um sânscrito tão antigo, tão diferente do idioma atual, que não existe outra obra semelhante na literatura de esse “irmão mais velho de todos os idiomas conhecidos”. Max Muller

Rig Veda - 5000 à 4500 a.C.

É uma coleção de 1028 hinos (Sukta), divididos em dez livros (Mandala), nos quais encontramos épicos, lendas antigas, encantamentos, mitos, regras de comportamento social e religiosos, poesias etc. nele aparecem muitas variações de linguagem devido a variação cronológica e diversidade de autores.

O Rig Veda é a base de todas as concepções filosóficas do solo indiano. Contém as primeiras perguntas que o homem fez em relação a criação, à natureza do universo e de sua própria função existencial.

Sama Veda - 2600 a. C.

Contém uma coletânea de melodias (Mantras) cantadas pelos sacerdotes da classe Udgatar, durante as oferendas sacrificiais. Estes hinos reverenciam uma bebida chamada Soma. È composto de duas partes: Arcita com 585 cantos, classificados conforme o ritmo ou os deuses aos quais se referem; Utthararcika com 400 cantos de três estrofes em geral, agrupados segundo a ordem dos principais sacrifícios.

Yajur Veda - 2400 a.C.

Contém formulas que os sacerdotes da classe Adhvaryu murmuravam nos ritos de sacrifício.

Existem duas versões do Yajur Veda. A primeira, conhecida como Negra, é a mais antiga, chamada assim porque suas formulas estão mescladas e sem ordenação clara, foi copilada pelas escolas Taittrya Samhita, a Kathaka e a Kapsithala kathaka Samhita.

A segunda versão, conhecida como Branca, leva o nome de Vajasaneyi Samhita cujo autor é Yajnavalkya Vajasaneyi, por isso o nome, é chamado de branco porque suas fórmulas possuem ordenação clara e sistemática, ela possui duas revisões uma da escola Madhyandina e outra da escola Kanva.

Atharva Veda - 2400 a.C.

Contém cerca de seis mil versículos sobre os mais diversos temas, mas sobretudo ensinamentos de magia e medicina popular, destinados a promover a paz, a saúde, o amor e a prosperidade material e espiritual. É o Veda dos sacerdotes do fogo Atharvan e Angiras. Os Atharvan eram sacerdotes operavam sortilégios bons, favoráveis a todas as partes, curando enfermos, protegendo contra desgraças etc. Os Angiras atuavam enviando desgraça, enfermidades aos inimigos e rivais de quem os procurassem. A revisão mais conhecida é a da escola Saunaka com 731 hinos em 20 livros com 6000 versos.


Divisões dentro de cada Veda:



Samhita


É um conjunto de hinos e rituais que formam o corpo inicial dos Vedas.


Brahmana


Explica a relação entre fórmulas e hinos que os sacerdotes murmuram durante os rituais, contém explicações sobre os rituais, mitos e narrativas cosmogônicas, antigas lendas, vestígios históricos sobre o passado da Índia e a expansão Ariana no Vale do Indo, costumes sociais, formação geográfica, etc.


Aranyaka


Os Aranyakas (livros das florestas) surgiram a partir de um pequeno grupo de iniciados que se retiraram para o silêncio das florestas em busca de outras vias de salvação e especulações filosóficas. Estes ascetas se colocaram em oposição a mecânica dos complicados ritos de sacrifício e contra a apropriação dos Brahmanas de todo o conhecimento e ato religioso. É a partir de 1900 a. C. que surge os Aranyakas e Upanishads, a literatura da tradição Aranya (da floresta), uma vez que às margens do Ganges existiam vastas florestas.


Upanishad


Foram elaborados a partir de 1500 a.C. e considerados como o mais alto ponto de especulação sobre os Vedas. São conhecidos também como Vedanta (parte final dos Vedas). Os ensinamentos principais dos Upanishads estão na afirmação da identidade do absoluto com o ser individual (Brahman - Atma).


Kalpasutra


São divididos em Shrautasutra, que codificam os sacrifícios, e os Grhyasutra, que regulamentam os sacramentos que dão valor religioso a vida individual desde o nascimento até a morte.



Era Brahmanica
- 2500 à 1500 a. C.


Neste período o conhecimento védico ficou reservado aos Brahmanes ou casta dos sacerdotes, foi a partir deste momento que as castas se tornaram fixas.

Para os pesquisadores recentes a invasão Ariana nunca existiu pois os Arianos sempre foram indianos e habitantes do Vale do Indo (como os Dravidianos), sendo o Yoga um fruto da civilização Indo-Sarasvati.

De acordo com alguns estudiosos, o fim da Era Védica foi marcada pela famosa guerra que consta no Mahabharata e que a tradição data de 3102 a.C. Isso coincide com o início do kali Yuga.

Neste período os Vedas, que já eram recitados há milênios, foram escritos em folhas de bananeiras e também algumas interpretações dos Vedas - Smriti, feitas pelos Rishis (sábios) a fim de atingirem mais facilmente o homem comum.

SMRITI

São as escrituras secundárias, temos: Dharma Shastras, os livros que codificam as leis que regulam a sociedade; Itihasa, épicos nacionais; Puranas, livros de educação religiosa popular; Agamas, tratam das tendências devocionais e Dharshanas, que apresenta as principais escolas de pensamento nascidas a partir dos Vedas.

Embora a maior parte dessas escrituras sejam posteriores a esse período preferi citar todos aqui por pertencerem ao Smriti

Dharma Shastra

São regulamentos e obrigações das castas composto pelos Brahmanes.

Precisamos entender que estes textos foram escritos pelo povo invasor proto austríaco (1800 a.C.) , como forma de dominar a sociedade Indiana. Esse povo fixou as castas, citadas conforme características pessoais nos vedas, passando eles a ser a casta dominante ou Brahmanes. Uma parte da sociedade indiana que não estava de acordo se refugiou na floresta (Aranya).

O mais antigo é de autoria do ancestral mítico da tribo Manava chamado Manu. As leis de Manu trouxeram benefícios e poderes para a casta dos Brahmanes fortalecendo seu domínio sobre a sociedade indiana. Determinava que tudo o que existe no universo é propriedade dos Brahmanes a ele não seriam cobrados tributos porque um Brahmane irado poderia apenas com a recitação de um Mantra destruir o rei e seu exercito. Aos Sudras as leis eram mais severas em penalidades, se um Sudra abusasse de uma mulher de um Brahmane, teria a propriedade confiscada e o órgão sexual cortado, se um Sudra ouvisse a recitação das escrituras Vedicas, o castigo era receber chumbo derretido em seus ouvidos e se recitasse teria língua cortada, e assim por diante; a mulher era considerada fonte de desonra, discórdia, mundanidade e deveria ser evitada e as mulheres casadas deveriam demonstrar devoção ao marido.

As leis de Manu era um forte instrumento de controle social e manutenção de poder dos Brahmanes ou povo invasor (1800 aC.).

Itihasa

São os grandes épicos da literatura Hindu. O mais significativo é o Mahabharata, composto de histórias sobre uma guerra ocorrida na Índia (3102 a.C.) entre duas linhagens Arianas em que o capítulo principal é o Bhagavadgita, ensinamentos do Avatar Krishna para Arjuna. Outro épico é o Ramayana, que descreve a vida de Rama (teria vivido por volta de 6000 a.C) e de sua esposa Sita, sendo Rama o símbolo de perfeição.

Purana

Instrumento de educação popular, tem a finalidade de imprimir na mente do povo, por meio de exemplos concretos, os ensinamentos do Veda. Descreve características e ações das divindades, detalhes sobre a criação do mundo, genealogia dos deuses, dinastias reais, especulações filosóficas, mitologias, etc.

Os Puranas estão classificados em aqueles que elevam Brahma (Brahma P., Brahmananda P., Brahmavaivarta P., Markandeya P. Bravishya P. e Vamana P.); os que elevam Vishnu (VishnuP. Padma P. Bhagavata P. Naradiya P. Garuda P. e Varaha P.) ; e os que elevam Shiva (Shiva P., Lingam P., Skanda P., Agni P., Matsya P., Kurma P.)

Agama

São as tendências devocionais que são tantas quanto os Deuses do hinduísmo. Os mais expressivos são: Shivaistas (seguidores de Shiva – renovador e disciplinador), Shaktas (adoram o principio feminino como criador e renovador), Ganaphatas (adoradores de Ganesha - conhecimento), Hanupatas ( cultuam Hanumam, discípulo perfeito), Vaishnavas ( seguidores de Vishnu – preservador), Ramaphatas ( adoradores de Rama – herói divino), Krishnaphatas ( seguidores de Krishna- devoção e amor divino) etc.

Darshana

São os pontos de vista ou escolas filosóficas nascidas do Veda que tiveram origem entre 700 a C. e 200 a C.. As quatro primeiras aceitam teóricamente o Veda mas possuem doutrinas opostas aos seus ensinamentos, as duas ultimas, Mimansa e Vedanta, aceitam literalmente a autoridade dos Vedas. Os seis Darshanas são:

1. Nyaya - origem 300 a.C. seu fundador é Gautama, autor de Nyaya Sutra, textos que falam da possibilidade de se atingir a “absoluto” através do argumento lógico e da mente racional. Nyaya significa “regra”, examinar, regras do correto pensar.

2. Vaisheshika - origem 300 a.C., fundada pelo sábio Kanada. Examina as particularidades da manifestação cósmica e pregam a noção de uma constituição atomista do mundo.

3. Samkhya - 700 a.C., fundada por Kapila. Descreve o desenvolvimento cósmico como um processo gradativo e matemático. Dois princípios, Purusha e Prakriti, interagem e criam toda a existência.

4. Yoga - 200 a.C., fundada por Patanjali, tem como base literária os Yoga Sutras que mostra os passos para se chegar a liberação. Esta escola é o clímax de um longo período de desenvolvimento das práticas de Yoga e do pensamento Védico.

5. Mimansa - 400 a.C., fundada por Jaimini, autor dos Purna Mimansa Sutras são as primeiras investigações dos Vedas no conceito de Dharma.

6. Vedanta - 200 a.C., fundada por Badarayana, é conhecida como a investigação final dos Vedas, tem como texto fundador os Brahma Sutras, escrituras que divulgam os Vedas com a mais alta revelação e propõe a doutrina do único Ser Supremo (Brahma), responsável por tudo o que existe. O mestre mais exaltado em Vedanta é Sankara (sec II a. C), pois foi graças aos Bhasyas, comentários que fez dos Brahma Sutras e de alguns Upanishads, que os Vedas foram compreendidos como um todo, como um elo de conhecimento sem contradição.



Parte dos Vedas foram escritos neste período também:



Brahmanas
- 2500 à 1500 a.C. - Hinos e rituais codificados pela casta dominante os Brahmanes. Noções matemáticas.

Arãnyakas – 2000 à 1500 a.C. - Textos de hinos e rituais para ascetas que viviam nas florestas.

Shulba-Sutras – 1800 a.C. - Codificação matemáticas (usadas em altares que se relacionavam simbolicamente com a estrutura do macrocosmo).



Era pós Vedica ou Upanishadica -
1500 à 1000 a.C.


Os Upanishads são o resultado de muita investigação a respeito de “Quem sou Eu”, é ponto mais alto dos Vedas. O conhecimento dos Upanishads destrói a ignorância , a semente do Samsara.

O termo Upanishad deriva das palavras sânscritas upa ("perto"), ni ("embaixo") e shad ("sentar"), representando o ato de sentar-se no chão, próximo a um mestre espiritual, para receber instrução. São respostas a discipulos muito bem preparados, em que a resposta a uma pergunta apenas elimina toda a ignorância e leva a liberação – Moksha.

O Upanishad mais antigo é Brhadaranyaka onde o caminho meditativo esta ainda ligado a conceitos sacrificiais, também especulações sobre a origem do mundo, nascido do ser uno que se dividiu em dois, masculino e feminino, criando assim todo o cosmo. Este ser uno é o objetivo final do homem.

Outras Upanishads deste periodo foram: Chandogya Upanishad, Aitareya Upanishad, kausitaki Upanishad, Kheno Upanishad.

Foram descritas 108 Upanishads onde 10 são as mais importantes: Isvara Upanishad(quem é Ishvara?), Kheno Upanishad (quem move o mundo?), Katha Upanishad (a morte como mestre?), Chandogya Upanishad ( canção e sacrificio), Aitareya Upanishad (o microcosmo no homem), Manduka Upanishad (modos de conhecimento), Kaivalya Upanishad(modos de liberação), Prasna Upanishad (alento da vida), Taittiriya Upanishad (discursos sobre a vida e a liberação), Brhadaranyaka Upanishad.



Era pré Clássica ou Épica
- 1000 a 100 a.C.


Épicos:


Mahabharatha - Vyasa (3102 a.C.) Redação final por volta de 600 a.C.

Ramayana - Valmike (4300 a.C.) Redação posterior ao Mahabharata



Alguns Puranas:



Leis de Manu
- (676 a.C.) Códigos de leis criados pelo povo dominante - Ver em Dharma Shastras

Era Clássica - 100 aC, à 500 d.C.

Yoga Sutras - Patanjali - 200 a.C.

Brahma Sutra - de Bãdarãyana

Samkhya - Kapila - 700 a.C.

Budismo Mahayana - 700 d.C.

Vedanta de Sankara - 200 a.C. - (Bhasyas dos Brahmas Sutras e de 10 Upanishads)

Era Tantrica e Purânica - 500 à 1300 d.C.

Puranas - baseados em Puranas da Era Védica.

É falado que o Tantra é anterior aos Vedas e que tem 10.000 anos de existência. O período entre 1500 e a época de Buda foi reconhecido como o “Séculos das trevas” por falta de material histórico, provavelmente porque o Tantra foi marginalizado pelo povo invasor. Assim o Yoga e o Tantra desenvolveu-se nos círculos não Brahmânicos as margens da sociedade.



Obras do Tantra e do Hatha Yoga:


Goraksha Samhita - Goraksha - 500 a 1000 d.C.

Hatha Yoga - Goraksha - 500 a 1000 d.C. (obra perdida)

Yogakundalini Upanishad - Hatha Yoga e Kundalini Yoga

Yogacudamani Upanishad (retirados do Goraksha Sanhita )

Yogatattva Upanishad (Kundalini Yoga e Nada Yoga)

Hatha Yoga Pradipika - Svatmarama (séc XIV d. C.)

Gheranda Samhita - sec. XVII

Shiva Samhita - sec XVII

Yoga Yjnavalkya -

Tantra Sastras - 400 à 1200 d.C.-



O Tantra é mais que apenas uma coleção de técnicas de Yoga e meditação. É o esforço para lutar contra todos os obstáculos e avançar a partir do imperfeição para o perfeição, do estado de limitação a liberação final em vida - Jiva mukta.

Nas sociedades matriarcais (do vale do Hindu), que deram origem ao tantrismo hindu, não existem grandes diferenças entre o homem e a mulher ou corpo e espírito. O Tantra vê no corpo humano um templo vivente sem distinção entre carne e espírito. Tudo interage naturalmente em perfeita harmonia inclusive a sexualidade.

Epopéia de Gilgamesh


(As 12 Inscrições feitas em pequenas tábuas de argila cozida)

I
"Senhor da Terra, Ele via todas as coisas; os abismos da sapiência se escancaravam à frente dele, e nunca se viu homem como ele em força e beleza".Grande caçador de leões, "agarra-os pela juba e os trespassa".
Assim é Gilgamesh, que é dois terços divino e um terço homem. É o Ensi que cercou Uruk de poderosos muros e ali construiu um templo "que se ergue como uma montanha"., um imponente celeiro e um magnífico "palácio branco".
"Sua palavra e o seu juízo deitam lei sobre a cidade, e seus súditos o observam com temor e admiração".
Não obstante, este belíssimo e altíssimo é um tanto ativista demais, "nunca se detém" e quer que "a magnificência de Uruk resplenda sobre todas as outras cidades". Em conseqüência impõe a todos, jovens e velhos, homens e mulheres, um trabalho sem cessar. E são, sobretudo as mulheres que por fim elevam vibrantes protestos "aos grandes deuses, senhores de Uruk". O deus Anu reconhecendo que seus lamentos são justos encarrega a deusa criadora Aruru de plasmar um indivíduo que possa distrair o super zeloso Gilgamesh, um ser que seja tão forte quanto ele, "mas que não seja um animal do deserto".
Aruru lavou as mãos, tomou uma porção de argila, molda-a, cospe em cima e cria "do alento e do sangue de Ninib, deus da Guerra" um homem primitivo, Enkidu o guerreiro, filho do silêncio, raio de Ninurta.
 "Seu corpo era coberto por pelos, seus cabelos cacheados se alongam como o trigo", veste-se com peles e come a grama junto com as gazelas; bebe com as manadas e com as feras selvagens ele satisfaz sua necessidade por água. Torna-se pois o protetor de seus amigos animais, arrebenta as redes e inutiliza as armadilhas dos caçadores.
Os caçadores se cansam disto, até que um deles consegue perceber um dia, junto ao rio, aquele estranho indivíduo "que se assemelhava a um demônio dos montes". Vai falar com o pai, que o aconselha a tomar emprestada do soberano uma bela moça, e mostrá-la nua, "afim de que o homem se aposse de suas belas formas, expostas". Assim terá alguma coisa diferente em que pensar.
O caçador vai ao Ensi, conta-lhe tudo sobre aquele cabeludo gigante, e como "é tremendo o seu aspecto", tanto que ninguém ousa aproximar-se. Gilgamesh lhe dá permissão de conduzir imediatamente Shamhat "uma bela mulher" do sagrado templo de Ishtar. Depois de três dias, os dois chegam ao olho d"água. O caçador abandona a mulher ali e tudo se cumpre segundo as previsões : "Enkidu conheceu a mulher por seis dias e seis noites, e se uniu a ela com amor".
Mas eis que "quando estava saciado com a opulenta beleza dela", Enkidu percebe que seus amigos animais fogem dele.
Maravilhado, volta um olhar interrogativo à companheira que, exteriorizando todas as artes da persuasão, lhe diz : "Enkidu, és belo como um deus; porque queres correr pelos campos como um animal selvagem ? Vem comigo a Uruk, vem ao sagrado templo, a morada de Anu e Ishtar, ao esplendido palácio de Gilgamesh, o herói perfeito, possante como um touro, sem igual entre os homens".
Enkidu se deixa convencer: "Quero enfrentá-lo, quero desafiar em alta voz aquele forte, quero anunciar a toda Uruk que também eu sou forte".
E segue a mulher, a qual chegando "a cidade, onde ambos são acolhidos com grandes festejos, o torna um pouco mais apresentável, colocando-lhe vaticina o desafio com Gilgamesh, cujos olhos "rebrilham como o Sol, e cuja grande estatura exibe músculos duros como o metal".
Shamhat tenta persuadir Enkidu, dizendo que Gilgamesh deseja ser seu amigo:
"Deixe-me apresentar-lhe Gilgamesh, um homem de felicidade e infortúnio! Olhe para ele, observe sua face. Ele é lindo na humanidade, digno. Seu corpo como um todo está carregado com um charme sedutor. Ele possui braços mais poderosos do que os seus! Ele não dorme de dia ou a noite.
Ó Enkidu, mude os seus planos de puni-lo! Shamach ama Gilgamesh, e Anu, Elil e Ea o tornaram sábio!
Antes que você viesse das montanhas, Gilgamesh vinha sonhando a seu respeito em Uruk".
Os sonhos citados por Shamhat se referiam aos de um raio de tempestade e uma estrela, que foram interpretados como o anuncio de que um forte companheiro viria a ele formando uma grande amizade.
II
Enkidu, limpo e penteado, sai do templo e a sua descomunal estatura desperta a admiração da turba. Mas depois de uns poucos passos, coloca-se ao centro do portão de entrada, impedindo a entrada de quem quer que seja. Os guardas tentam desalojá-lo, mas basta uma olhada sua para fazê-los bater em retirada.
E eis que vem Gilgamesh, para celebrar as sagradas núpcias de Ano Novo. Os dois se observam, Enkidu não se afasta e a luta é inevitável.
Gilgamesh o agarra, ergue-o e o afasta da porta, mas a luta continua até que "o rei abraça seu adversário como se fosse uma mulher e o derruba, colocando-se sobre ele". Depois o levanta e o arremessa aos pés da rainha-mãe. O povo o aclama enquanto Enkidu lança um urro desesperado. Levanta-se, "deixa cair os braços a seu lado e seus olhos se enchem de lágrimas".
A rainha se comove, pega suas mãos e diz, benévola: "És meu filho e te gerei hoje mesmo; sou tua mãe, e este – indicando Gilgamesh – é teu irmão".
Enkidu, por sua vez, comovido responde: "Mãe, nesta luta, encontrei um irmão", ao que faz eco o rei: "És meu irmão, luta agora ao meu lado!" E lhe propõe sua primeira empresa heróica. Muito longe, a custodiar a Floresta Sagrada dos cedros, que circunda a morada dos deuses, o deus Bel tinha colocado um temível guardião de nome Khumbaba, cuja voz "assemelha-se ao troar da tempestade, seu hálito faz agitar as ramagens, seu resfolegar provoca um tremendo trovejar". Este guardião, porém já há algum tempo permitia-se algumas liberdades e tinha assumido o hábito de sair do bosque para aterrorizar o povo, matando quem quer que se encontrasse em seu caminho : "Os fortes também caem sob suas mãos".
"O coração – diz Gilgamesh – me sugere enfrentá-lo e matá-lo".Enkidu não deixa transparecer qualquer perplexidade, e decidem de imediato partirem juntos.

III
"Não confie inteiramente, Gilgamesh, na sua própria força.
Quando tiver observado, o tempo suficiente, confie no seu primeiro esforço. O que liderar o caminho salvará seu camarada. O que conhecer os caminhos, guardará seu amigo. Permita que Enkidu o preceda.
Ele conhece o caminho para a Floresta dos Pinheiros. Ele pode observar a luta e dar orientações na batalha.
Permita que Enkidu guarde seu amigo, mantenha seu camarada seguro. Traga-o são e salvo para as noivas, para que nós em nossa assembléia, possamos depender de nosso rei, e que, por sua vez, o rei possa novamente confiar em nós".

Entretanto, Enkidu tem uma terrível saudade de seus animais: lamenta-se em altas vozes, até que subitamente, abandona a vida cômoda e desaparece nos campos.
Gilgamesh, profundamente entristecido, reúne a Assembléia dos Anciãos: "Estou triste, choro por Enkidu! De que me servem o machado, o dardo, a espada, o traje de festa? Não tenho mais alegria. Enkidu, meu dileto amigo, deixou-me e maldiz a mulher que o seduziu. Ele deveria repousar sobre ricos tecidos e habitar num palácio situado "a minha esquerda; os grandes da terra deveriam beijar-lhe os pés, e todos os homens deveriam colocar-se a seu serviço. Quero que todo o meu povo leve de tudo para ele, enquanto que eu mesmo, coberto de uma pele de leão, irei procurá-lo por toda a planície ".
Enkidu, entrementes está só e desesperado, amaldiçoando a mulher e o momento em que se deixou convencer a segui-la e "tornar-se estranho aos animais".
Mas Shamach, deus do sol, o reprova, relembrando-lhe os benefícios recebidos daquela mulher "que te deu à mesa comidas e bebidas que só os reis recebem, fez-te dono do traje de festa e do cinto, propiciou-te a amizade do magnífico Gilgamesh. O povo de Uruk está de luto por ti, e Gilgamesh te procura por toda parte!".
A estas palavras, adoça-se o coração de Enkidu e quando aparece o amigo, "resplandecente como o ouro segue-o".
Mas a calmaria dura pouco: Enkidu conta a Gilgamesh um horrível sonho. "O Céu urrava e a terra lhe respondia, tremendo (...) Enfrentei um homem forte, de semblante escuro como a noite, de aspecto semelhante a uma repugnante hiena, mostrando os dentes; tinha asas poderosas e garras de abutre. Apanhou-me, fazendo-me afundar com todo o seu corpo numa terrível voragem, e me comprimia com o seu peso, tal como uma montanha". No fundo do abismo, encontrou-se no limiar do "Reino de Ircalla, de onde ninguém que entra, sai". Ordena-lhe o monstro: "Vai pela estrada da qual ninguém pode sair, entra na casa sem luz, onde os habitantes se alimentam de pó e lama, têm asas de morcego, são cobertos de plumas como o mocho, e residem nas trevas!".
Enkidu adentra o Reino dos Mortos, onde ninguém mais leva a tiara real, a quem costumava sentar-se sobre o trono e dominar terra, agora está humilhado; os grandes e os servos são todos iguais, e dominados por Erechquigal, rainha dos Infernos; a seus pés, uma escrivã registra os nomes na argila. Erechquigal levanta a cabeça e ordena: "Escreve-me também o nome dele".
Gilgamesh conforta o amigo, agora estremecido pelo sonho angustiante, faz ritual de esconjuros "contra o maligno espírito da morte", oferece ao deus Sol uma taça de mel "e deixou que o deus a lambesse".
IV
Shamach, a quem muito agradou a oferenda, incita os dois a enfrentar sem piedade a
Khumbaba, e Gilgamesh, reunido o Conselho dos Nobres, parte com Enkidu, de quem a rainha se despede afetuosamente: Enkidu és a minha alegria; protege agora Gilgamesh!"
Chegam à floresta de cedros e o primeiro com que se defrontam é um guarda:
"Vinde, adiantai-vos, para que eu possa dar vossos corpos de pasto aos abutres!" Mas não obstante tenha sobre si "sete mantos enfeitiçados", acaba sendo morto.
Enkidu logo exorta Gilgamesh à prudência; já é tarde, e faz-se noite, é melhor acampar e esperar pela manhã. "Não sejas fraco, timorato e vil, ó amigo. Devemos continuar e depressa enfrentar Khumbaba. Já não matamos seu guarda?".
Não somos mestres na arte da guerra? Reforça tua confiança em Shamach e não mais sentirás medo (...). Combateremos juntos (...); todos os países da terra cantarão em nosso louvor. "E prosseguiram o caminho".
V
Os dois heróis detêm-se, em silêncio, fascinados pela esplêndida floresta, estupefatos pela grandeza das árvores, das calmas alamedas, das flores odoríferas e "viram a montanha dos cedros, morada dos deuses, e o sagrado templo de Inanna" em frente ao qual "os cedros se acumulavam, exuberantes". Avançam durante horas, o caminho se faz cada vez mais íngreme até que a noite caiu sobre o bosque, apareceram as estrelas e os dois heróis se deitaram para dormir".
Novos incubos agitam o sono de Enkidu. À aurora, retomam a marcha para o topo do mente e caminham durante "trinta horas".
A sagrada torre da deusa Inanna (*Ishtar para os Babilônios) se erguia com nítido alvor "quando eis que, de improviso, depois de um furioso agitar das folhagens, apresenta-se perante ele a assustadora figura de Khumbaba "com patas iguais às de um leão, o corpo coberto de escamas de bronze, a cabeça eriçada de cornos de búfalo selvagem, com o membro viril e a cauda terminando em forma de cabeças de serpente".
Gilgamesh encomenda a alma a Shamach, e os dois lançam contra o monstro todas as suas flechas, "mas elas caíam inertes, sem feri-lo". Khumbaba enterra suas garras em Enkidu, que, debatendo-se furiosamente, o faz cair. Gilgamesh, fulminante, empunha o machado e o decapita. Seu corpo é arrastado para uma clareira, como pasto para os abutres, e "enfiada a cabeça de Khumbaba numa longa haste, carregaram-na em sinal de triunfo".
Exultantes, sobem o monte, atingindo seu cimo. Aí, porém, são detidos pela peremptória voz de Inanna : "Nenhum mortal pode chegar ao alto do monte, sede dos deuses, pois quem viu a face dos deuses, deve morrer. Já cumpristes a vossa empresa, agora voltai, e dirigi vossos passos para Uruk". Só restava obedecer e os nossos heróis tomaram o caminho do retorno "através dos precipícios e vias tortuosas, lutando com os leões e tirando-lhes a pele".
E quando vem o dia da Lua Cheia", Gilgamesh pisou no umbral de Uruk "trazendo, transfixada em sua lança, a cabeça de Khumbaba.
VI
Tendo chegado triunfalmente ao palácio, o rei "lavou suas armas, penteou seus cabelos, tirou as roupas sujas de sangue, vestiu uma roupa limpa e o manto real, e pôs em sua cabeça a coroa".
Vendo-o em todo o seu esplendor, a deusa Ishtar "ardendo de desejo", propõe-lhe tornar-se sua amante, prometendo-lhe em troca riqueza e poder sem limites.
Mas Gilgamesh a desdenha : "Desprezo o teu corpo cheio de fascínio, recuso o teu pão (...); as tuas artes são quentes, mas o teu coração é gelado. Onde está o amante que amarias para sempre? Ao teu jovem amante Tamuzu (Dumuzi), deus da Primavera, só reservaste o pranto, ano após ano; depois, arranjaste um jovem pastor, quebraste-lhe as asas e agora ele vaga em lágrimas pelos bosques (...) Passaste a um outro pastor e, com o bastão, fizeste um lobo. Hoje, os outros pastores o ameaçam e seus próprios cães o mordem". Recorda-lhe enfim a fracassada tentativa com um certo Uchalanu que Ishtar convidou um dia para "comer a comida dos deuses". Mas Uchalanu respondeu : "Que queres de mim? Minha mãe me preparou a comida, e eu a comi; por que queres que eu experimente manjares que me levariam a ruína e que se transformara em cardos e bolotas?"
A deusa ficou furiosa, o transformara num animal da lama.
"Ora – conclui Gilgamesh -, queres meu amor para reservar-me o mesmo tratamento."
Ishtar, acometida de ira, sai pelos céus e pede vingança por este ultraje ao deus Anu, o qual deve admitir que Gilgamesh exagerou um pouquinho, pelo que a deusa lhe pede que crie "um enorme touro que aterrorize Gilgamesh ". E se não for atendida, ameaça "golpear o deus Anu com terrores e assombros", e para tanto descerá aos infernos, abrirá todas as suas portas, "até que todos os demônios e mortos saiam e venham à terra; e os mortos já são muito mais numerosos que os vivos!" Anu, depois de tê-la advertido que este tipo de vingança acarretará sete anos de carestia, pergunta-lhe : "Há trigo suficiente nos celeiros? Há feno suficiente para o gado?"
Ishtar garante que tudo está em seu lugar. Anu então faz surgir "da montanha dos deuses um touro imenso e o envia a Uruk", onde devasta os campos e arrasta algumas centenas de homens; até que Enkidu consegue agarrá-lo firmemente pela cauda, "e Gilgamesh afunda a sua espada no peito do touro que cai, agonizando".
Enkidu se congratula com o amigo: "Amigo, demos nova glória aos nossos nomes, agora que matamos o touro do céu!" Cumprida a empresa, os dois heróis se prosternam perante Shamach; repousam nos muros da cidade, do alto dos quais Ishtar, fora de si, lança as piores maldições contra Gilgamesh. Enkidu então arranca uma coxa do touro e lança-a ao rosto da deusa, gritando: "Ah, pudesse eu tê-la entre as mãos! Faria contigo o que fiz com o touro e a enrolaria em suas tripas"
Os dois, logo após, lavam suas armas no Eufrates e a nova aventura termina com grandes festejos.
Ishtar reune então as cortesãs recrutadas à força, prostitutas e meretrizes, fazendo arranjos para prantear sobre a espádua do Touro dos Céus.
VII
Enkidu continua a ter seus pesadelos e conta a Gilgamesh um terrível sonho: uma águia, depois de tê-lo agarrado, o levava sempre mais alto, e ao fim, quando toda a terra parecia "pequena como uma papa de farinha e o oceano, como uma casilha", amolecia a presa, fazendo-o cair. "Precipitei-me, e fiquei jazendo na terra com os ossos quebrados. Este foi o meu sonho e agora estou molhado de suor, por causa do susto. " Desta vez, Gilgamesh adivinha o funesto presságio: "Um espírito te aferrará com as suas garras; os deuses decidiram causar uma desgraça! Deita-te, pois tua testa arde" e, sentado à sua cabeceira, o assiste e o conforta por dias e dias.
Entristecido com o presságio, Gilgamesh procura oferecer orações aos grandes deuses. Enkidu amaldiçoa o seu destino, culpando Shamhat em particular por corrompê-lo inicialmente. Shamach procura responder para defendê-la:
"Enkidu, por que amaldiçoaste minha prostituta Shamhat, que o alimentou com o alimento dos deuses, dando-lhe bebida, vestimentas de rei, adornando-o com um lindo manto, dando-lhe então Gilgamesh como excelente companheiro ? E agora Gilgamesh, o amigo que se tornou um irmão para você o deixará repousar em um leito esplêndido deixando repousar em um leito de cuidados amorosos, permitindo que repouse em paz, na habitação a esquerda.
A princesa da Terra irá beijar os seus pés. Ele fará o povo de Uruk pranteá-lo, ficando de luto por você. Com ele próprio negligenciando a aparência após a sua morte, vestido apenas com uma pele de leão vagará pelos campos".
Enkidu adoece e sonha novamente com a própria morte e a ida para o mundo inferior. Por doze dias permanece no leito.
VIII
O estado de Enkidu se agravava; o seu peito se alçava silencioso e silencioso se abaixava". O amigo, chorando, o invoca: "Enkidu, meu jovem amigo, onde está a tua força, onde está a tua voz? Onde está o meu Enkidu? Eras forte como um leão, veloz como uma gazela; te amava como a um irmão; todas as belas mulheres de Uruk te amavam; juntos matamos o touro celestial, e seu alento maléfico não pôde te afetar, mas agora os grandes deuses não querem perdoar a ofensa a Ishtar nem a morte do touro por eles enviado!"
Enkidu exala o último suspiro e agora Gilgamesh, coberto o cadáver de seu amigo "como se fosse o de sua esposa", desafoga livremente sua desesperada dor.
 "Urrou como um leão, urrou como uma leoa atingida por flechas, arrancou os cabelos e os esparramou à volta, rasgou as vestes e envergou uma empoeirada túnica de luto.  "Agora, o que é esse sono que se apoderou de você? Olhe para mim! Você não está me escutando! Mas ele não consegue erguer a cabeça. Toquei o seu coração, mas ele não batia"."Lamenta o amigo querido por seis dias e seis noites, ao sétimo o sepulta e depois vaga sem conforto pelos campos. Encontra um caçador, o qual estupefato com seu aspecto, lhe dirige a palavra: "Nobre Senhor, matastes o enfurecido guarda da floresta dos cedros, matastes até mesmo Khumbaba; matastes com as mãos os leões dos montes e vencestes o poderoso touro enviado pelo deus do Céu. Por que está tão pálida e emaciada a vossa face ? Por que há tristeza em vosso semblante ? Que coisa é que perturba o vosso ânimo e dobrou vossa alta estatura? Por que vosso coração está cheio de lamentos? Por que correis sem paz?"
Responde Gilgamesh: "O amigo querido que era ligado ao meu coração, Enkidu, a pantera da planície, o meu amigo, o bravo companheiro das minhas aventuras, que dividiu comigo todos os sofrimentos, foi golpeado pelo destino de todo homem. Como posso calar minha dor? Quero gritar, para que todos ouçam! O amigo que me era tão caro, tornou-se pó; Enkidu, o meu amigo, tornou-se como argila. Deverei eu também jazer como ele, sem nunca mais ressurgir, por toda eternidade?"
Esta última pergunta propõe o tema da segunda parte da epopéia, totalmente diversa da primeira. Fecha-se o ciclo das aventuras heróicas e inicia-se o poema do herói lastimoso na vã e desesperada busca da imortalidade.
Gilgamesh continua o pranto pela morte do amigo, mas também porque a idéia da morte não o deixa. Portanto decida-se a buscar "o potente Utnapichtim , o que encontrou a vida eterna"
Inicia a jornada, e depois de dias, pela manhã, vê destacar-se no horizonte uma alta montanha "denominada Machu, e composta de dois altos picos que sustentam o céu; entre os dois picos se abre a porta através da qual sai o Sol". A porta é vigiada por dois gigantes meio homens e meio escorpiões.
Um deles pergunta o porquê de seu triste aspecto e o objetivo de sua viagem.
Gilgamesh responde que quer ter com Utnapichtim, seu "antepassado que soube entrar para a Assembléia dos deuses, procurou e encontrou a vida; quero interrogá-lo sobre o Destino e sobre a Vida".
Rebate o vigia: "O estreito caminho que passa por entre estas montanhas não pode ser percorrido pelo pé dos mortais, ou de Gilgamesh; ninguém jamais conseguiu atravessar" , e lhe descreve brevemente o que o espera: uma obscura e escarpada garganta, que o Sol atravessa "quando ilumina os países e para onde retorna quando volta de sua viagem noturna pelo oceano do Céu(...) Atrás das montanhas se encontra o mar que circunda os países da terra. Não podes percorrer o caminho do Sol, porque este conduz ao reino dos deuses (...). O teu antepassado Utnapichtim habita-o também lá em cima, perto da desembocadura da corrente, além das águas da Morte, mas não há barco que possa levar-te à outra margem".
Gilgamesh não se dá por vencido e o gigante, admirado com tanta coragem, lhe dá passagem, advertindo-o que deverá percorrer "uma garganta horrenda, completamente obscura, que dura dez horas duplas" e faz votos para que possa percorrê-la são e salvo. E Gilgamesh adentra "pelo caminho do Sol".
IX
"As trevas eram profundas e não havia o menor vislumbre de luz. Ele não conseguia distinguir nem o que estava atrás nem o que estava mais à frente". Por fim, transcorridas as "dez horas duplas", avista de longe um clarão: a garganta se abre, penetra um tênue raio de Sol e, finalmente, a luz. Perante Gilgamesh se estendiam agora os esplêndidos "jardins dos deuses"; os frutos eram de rubi, pendiam magníficos cachos de uva, "uma outra árvore era coberta de lápis-lazúli. O herói ergue os braços ao Sol: "O meu caminho foi longo e fatigante! Tive de matar os animais da floresta, cobrir-me com suas peles, Nutrir-me de suas carnes!(...) Mostrai-me agora o caminho que conduz ao distante Utnapichtim, guia-me ao barqueiro que me levará a salvo além do Oceano do Mundo e das Águas da Morte, a fim de que eu possa informar-me sobre a vida!" Shamach o admoesta: "Para onde corres, ó Gilgamesh? Jamais encontrarás a vida que procuras!" Mas o herói lhe suplica e Shamach lhe indica um caminho possível: "Procura Siduri-Sabitu, a sábia senhora da Montanha Celeste, ela está sentada sobre um trono no jardim dos deuses, junto ao Oceano, e custodia a Árvore da Vida. Ela poderá indicar-te o caminho para alcançar o distante Utnapichtim".
Gilgamesh retoma o caminho onde "todos os tipos de arbustos espinhosos, aguçados e pontiagudos podiam ser vistos, florindo com gemas preciosas. As cornalinas pareciam frutas dispostas em cachos de aparência adorável , com lápis-lazúli imitando a folhagem, como frutas, extremamente agradáveis ao olhar."
X
O herói chega a morada da deusa Siduri-Sabitu (divindade da taberna). "Ele estava recoberto de peles de animais selvagens; a sua figura era assustadora, seu corpo era o de um deus, mas seu coração estava cheio de dor." A divina taberneira, não gostando nada do que via, trancou-se dentro de sua casa. Gilgamesh ameaça arrombar a porta, e Siduri-Sabitu lhe pergunta então o porquê de seu aspecto tão macilento e o objetivo de sua longa viagem.
À sua resposta, lhe repete : "Nunca encontrarás a vida que procuras", e acrescenta: "Quando os deuses criaram os homens, estabeleceram para eles a morte, e guardaram a vida para si", e o aconselha com fervor a gozar a vida tal como ela é, que no fundo, é bela, e voltar para Uruk, onde todos o amam e o exaltam.
"Basta! - Interrompe Gilgamesh, - Mostra-me o caminho que conduz ao distante Utnapichtim; se possível, atravessarei o mar, se não, caminharei ao longo do litoral."Siduri-Sabitu o faz notar que, exceto pelo Sol, ninguém pode navegar pelas "Águas da Morte, que se estendem perante aquela longínqua praia".
Mas naquele exato momento aporta o barqueiro de Utnapichtim, que tinha vindo procurar ervas e frutas no bosque. "Vai falar com ele; se for possível, atravessa o mar com ele; se não, volta para o lugar de onde vieste."
Gilgamesh entra no bosque e chama em alta voz o barqueiro, mas ninguém lhe responde. Furioso, arrebenta algumas caixas cheias de pedras que estavam na barca, e por fim encontra o homem, Ur Chanabi, e pede-lhe que o leve até seu patrão. Este observa que, tendo destruído as caixas, tornou isso impossível. De fato, estas, lançadas a água, serviam para ajudar na navegação pelas Águas da Morte. Mas seria possível aliviar o problema se Gilgamesh, para substituir as pedras, abatesse cento e vinte troncos" e, aparados, os embarcasse. O herói prontamente cumpre o novo trabalho e os dois, com aquela carga, atravessam "as ondas turbulentas e velejam rápidos como o relâmpago!. No terceiro dia, chegam as Águas da Morte, e chegam as suas margens. Ur Chanabi ordena ao passageiro : "Toma o machado e enfia os troncos no fundo do mar, mas as Águas da Morte não devem tocar tuas mãos, para que não morras".
Quando todos os cento e vinte troncos foram usados, "impeliram a barca com aqueles paus".
Utnapichtim, ao longe, percebe o desconhecido e pergunta, consigo mesmo: "Por que desapareceram as caixas de pedras? Por que agora se encontra na minha barca alguém que não tinha permissão para entrar nela?Esse que está chegando não pode ser um mortal". Perscruta melhor e dá-se conta que ele em tudo lhe é semelhante, vai ao seu encontro e o interpela : "Diz-me teu nome, sou Utnapichtim, aquele que encontrou a Vida".
O rei se declara felicíssimo em conhecê-lo, por fim; e conta-lhe da sua dor, a travessia a fim de alcançá-lo e o escopo da visita: Quero destruir os espíritos da morte, para que acabe a alegria deles! Ó Utnapichtim, fala-me como obter a vida eterna, tu que a obtiveste!"
"Deixa de lado os lamentos e a ira - responde Utnapichtim , a sorte dos deuses é diversa da dos homens, Teu pai e tua mãe te criaram homem; mesmo que tua natureza seja dois terços divina, o terço de ti que é humano te impele rumo ao Destino dos homens. A morte põe termo a toda vida. Porventura são eternas as casas, os pactos, as heranças paternas?(...) Desde o início dos seus dias, fica estabelecido que toda coisa tenha rim: o natimorto e o morto, não se assemelham, assim? Não são idênticos os sinais da morte?(...) Os deuses estabelecem os dias da vida, mas não contam os da morte!"
XI
"Observando-te, Utnapichtim, vejo que não és maior nem mais alto que eu, e te assemelhas a mim como um pai ao filho. Também tu és um homem! Mas não tenho paz, fui criado para lutar; tu, ao invés, conseguiste subtrair-te a luta e serenamente repousas. Diz-me pois, como pudeste entrar para a assembléia dos deuses e encontrar a vida ?"
"Quero desvelar-te, ó Gilgamesh, uma história oculta, um segredo dos deuses.
Churrupak é uma cidade antiqüíssima, e por longo tempo os deuses lhe foram benignos, mas depois decidiram fazer descer sobre a terra um dilúvio. No conselho dos deuses estava também presente Ea, o deus do Abismo, e ele confiou â minha casa, feita de canas, esta sentença dos deuses. "E narrou como Ea o exortara a  abandonar seus bens, salvar a vida e construir uma embarcação capaz de carregar a semente da vida de cada espécie, "Homem de Shurupak, filho de Ubara-Tutu, desmanche sua casa, construa rápido o barco e leve-o no mar de águas doces, carregando-o com o que for necessário."
"Preparei então madeira e piche, desenhei o plano do barco e nele desenhei vários sinais. Todo meu povo contribuiu na construção."
Quando a nave ficou pronta, "carreguei nela tudo o que possuía; prata, ouro e sementes de vida de toda espécie; fiz entrar toda minha família; carreguei as bestas grandes e pequenas; ordenei, por fim, que tomassem lugar os artesãos versados nas diversas artes".
"Os espíritos das trevas verteram depois sobre a terra uma chuva torrencial; eu fiquei observando a tempestade, assustadora de se ver. Quando despontou a aurora, ergueram-se nuvens negras como corvos; os espíritos do mal estavam endiabrados, e toda luz se transformou nas trevas mais densas; soprava impetuoso o vento do meridiano, as águas revoltas alcançaram os montes, desabando sobre os homens. O irmão não reconhecia mais o irmão; até mesmo os deuses tiveram medo do furação e correram a refugiar-se sobre a Montanha Celeste de Anu, encolhendo-se como cães assustados. Ishtar, presa de agonia, gritava: "O belo país se transformou em lama pelo meu mau conselho; como pude sugerir tamanha maldade? Como pude pensar em exterminar a minha gente? Eis que agora a correnteza abate os homens como no furor da batalha(...)"
"Todos os homens tornaram-se lama, a terra estava uniforme e deserta. Abri a janela do barco e a luz atingiu meu rosto; prostrei-me ao chão, depois sentei-me e chorei com lágrimas copiosas; observei aquele grande deserto de água, exclamei que todos os homens estavam mortos. Depois de doze horas duplas vi despontar no horizonte uma ilha: a minha nau estava sobre o monte Nissir. Ela ficou encalhada sobre o monte Nissir durante seis dias; no sétimo, tomei uma pomba e deixei-a partir, mas retornou, não encontrando nenhum lugar onde pousar. Tomei um corvo e o deixei partir; voou para longe, pois que as águas estavam baixando, comeu, ciscou a terra e não retornou. Então deixei que todos os animais saíssem e sacrifiquei um cordeiro; espargi alguns grãos sacrificiais sobre o topo do monte e queimei alguns ramos de cedro e mirto. Os deuses aspiraram o fumo que enchia de prazer as suas narinas e reuniram-se em torno do sacrifício como moscas."
Os deuses reprovaram a Enlil por ter suscitado toda aquela devastação: se queria punir os homens por alguma ofensa, podia soltar sobre a terra alguns leões ferozes, ou monstros, ou provocar uma carestia, mas não destruir toda a humanidade. Bel, porém, de modo algum se arrependeu, mas ficou agastado ao ver aquela embarcação: "Quem é esse mortal que conseguiu escapar ao seu destino? Ninguém deve sobreviver ao meu juízo". Mas Enki vai sobre a nave e diz a Utnapichtim as seguintes palavras; "Até agora, Utnapichtim, eras um homem mortal; deste momento em diante, tu e tua mulher sereis semelhantes a nós e habitareis longe, perto do mar onde desembocam os rios".
E foi aqui que Gilgamesh veio a encontrá-los.
Utnapichtim prossegue: "Mas que deus terá piedade de ti e te levará para junto dele, para que possas encontrar a vida que procuras?" E o desafia a ficar, como ele, seis dias e seis noites sem fechar os olhos.

Gilgamesh, ao invés, esgotado, se senta e adormece de súbito, profundamente. Ao seu despertar, Utnapichtim é tomada de pena pelo herói que depois de tantas tribulações volta de mãos vazias, sem ter encontrado nada do que procurava e lhe oferece uma possibilidade : existe uma planta milagrosa que cresce no fundo do mar e "que tem o aspecto de uma ameixeira". Se conseguir pegá-la e alimentar-se dela encontrará a vida e a eterna juventude.
Gilgamesh amarra duas grandes pedras às pernas, e deixa-se afundar no mar; encontra a planta, agarra-a, e emerge tendo na mão "a flor maravilhosa do mar"; depois, dando gritos de alegria, diz a Ur Chanabi: "Eis a planta! Eis a planta que dá a vida!(...) Quero levá-la aos sólidos muros de Uruk, quero que comam dela todos os heróis, quero dividi-la com muitos outros! Esta planta se chama "de velho torna-se jovem", quero comer dela e reaver toda a força da minha juventude!"
A barca navega por "vinte horas duplas" até dar numa pequena praia. Ali perto há um lago fresco e Gilgamesh entra nele para restaurar-se. Mas eis que "uma serpente sentiu o perfume da planta miraculosa, aproximou-se,  rastejante, e a devorou".
Gilgamesh senta-se sobre a margem e irrompe num pranto desesperado. Volta a Uruk, levando consigo Ur Chanabi, a quem dá de presente um pedaço de terra.
Reconciliado com o destino de todo mortal, ele se conforma ao saber que sua memória perpétua será assegurada pela sua magnífica obra de construção em seu reino em Uruk.


A história termina na Placa XI. Quanto a versão da Placa XII, acredita-se que tenha sido feita por outro autor muito tempo depois da versão original, mas não deixa de ser outro final interessante

XII
Mas não tem paz : consulta magos e adivinhos, quer ver o espírito de Enkidu, quer interrogá-lo sobre o destino dos mortos. O Sumo Sacerdote o adverte: "Ó Gilgamesh, se queres ir ao Reino dos Mortos, é preciso que uses uma veste suja, não deves ungir-te com óleos perfumados, que atrairiam os espíritos malignos; não deves pousar na terra o teu arco, porque serias logo atormentado por aqueles que matastes; não deves levar o cetro, para não repelir os espíritos dos mortos; não deves calçar sandálias para que teus passos sejam silenciosos".
O rei, vestido de trapos, dirige-se para "o grande deserto onde se abre o umbral do Reino dos Mortos". Junto às portas dos infernos, grita furiosamente. O guardião, intimidado afinal abre a porta. Depois se cumpre o rito de despojar-se da indumentária, através das "sete portas duplas", até que o herói se encontra nu perante Erechquigal, suplicando a ela que o deixasse ver Enkidu.
"Volta para o lugar de onde vieste, não podes ver quem está morto; ninguém te chamou. "Tristemente, Gilgamesh refaz o caminho inverso, retoma suas vestes "e colocou-se junto as águas profundas, suplicando a Enki, o sábio deus do Abismo" que lhe fizesse aparecer a sombra de Enkidu.
Enki se dirige a Nergal, deus dos mortos: "Faz uma abertura no chão e conduz para o alto o espírito de Enkidu para que possa falar com Gilgamesh, seu irmão". Os dois heróis se reconhecem, mas precisam ficar â distância. Gilgamesh pede ao amigo que lhe desvele a lei da terra dos mortos; a sombra de Enkidu "tremia com a resposta".
"Não posso desvelar-te; se te falasse, sentar-te-ias para chorar." Mas Gilgamesh insiste e Enkidu lhe desvela a terrível verdade: "Vê agora!  O amigo que te alegrava está devorado por vermes como um farrapo, Enkidu, o amigo que tua mão tocou, tornou-se como argila, está cheio de pó; e tornou-se pó!
E desaparece. Gilgamesh retorna a Uruk, onde " o templo da Montanha Sacra se erguia alto.
O rei se estende para dormir e a morte o alcançou na esplêndida sala do seu palácio".